terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Voo de hoje muito difícil.

A previsão para hoje era de um dia um pouco mais difícil do que ontem. Estamos sob influência de uma massa de ar frio que garante o azulão. Mesmo tendo a previsão desfavorável, foi marcada uma prova de área com os mesmos pontos da AST de ontem, com tempo de 2,5 horas. Eu achei a prova muito longa, pois a classe world era a última a decolar e a previsão era de o dia acabar por volta das 17:30, 18h.
As classes club e standard decolaram e logo notávamos que não estavam subindo muito bem. Topo das térmicas a 1.100m.
Decolamos na correria, pois a cabeceira em uso era a 18, oposta à que estávamos utilizando. Nesta cabeceira tem uma área alagada e deixaram os PW do lado para que pudessem alinhar depois da decolagem das duas outras classes. Quando chegou a hora de alinhar os PW, houve uma total organização. Desordem total.
Acabaram me colocando na decolagem antes da hora. Saí segurando navegador, fazendo check. Isso tem que melhorar.
Bem, no ar, logo que desliguei encontrei na mesma altura o francês campeão (Laurent Couture). Colei nele e chameio Pimenta. Logo estávamos todos juntos. Equipe francesa e os brasileiros.
Optamos por voar na cola deles pois o dia seria difícil  e isso nos daria uma boa vantagem.
Nos posicionamos próximos a largada (que é bem afastada do aeródromo) e largamos. Os 3 franceses a frente, nós (CL e CG), Allan Barnes da Austrália e mais alguns outros.
Logo o Allan tomou a decisão de abrir bem a direita, o que achei equivocada. Os franceses por sua vez, abriram bem a esquerda, que também achei errado. Eu teria ido na proa do ponto, talvez um pouco a esquerda que era de onde vinha o vento.
Os franceses tentaram pegar uma térmica onde haviam alguns planadores mais altos. Ocorre que estes planadores eram da outra classe que tinha a faixa em outro lugar, ou seja, não haviam largado ainda e não era garantido que estariam girando alguma coisa forte.
Eles passaram lá, desprezaram a térmica fraca e foram a diante. Fomos juntos.
Chegamos a 300m em um zerinho. Desespero total. Logo na largada pegamos uma bananosa por uma estratégia meio suicida. Como os franceses chegaram um pouco antes, conseguiram ficar uns 50m mais altos. Eu, o Pimenta e mais alguns ficamos baixos. O zerinho virou -0,5. Eu estava a 200m apavorado.
Resolvi ir em frente. Não havia o que fazer.
O Pimenta voltou para a pista com vento de calda, mas eu não ia conseguir chegar.
Pequei uma descendente e fui a 100m acima de algumas colheitadeiras. Consegui pegar uma bolha. Já havia anunciado o pouso fora.
Nessa bolha, consegui me manter um pouco e logo subi 1, 1,5, 2,0 e fui arrastado pelo vento para cima do aeródromo.
A térmica se desfez a 400m e eu busquei outra. Assim foi. Bananosa por mais de meia hora. Muitos planadores que partiram depois chegaram junto e conseguimos subir.
Minha média havia caído para 13 km/h. Eu deveria dar uma nova largada, mas só de pensar em voltar na faixa, ter de subir e dar uma nova largada para fazer uma prova de 2,5h já me dava um desânimo. Decidi aproveitar o bandão e tocar para frente. Esquecendo a média horária.
Fomos tentando nos sobreviver com um componente de proa de 30 km/h. Pegamos algumas térmicas de 1,5 a 2m/s. Algumas chegaram a dar picos de 3.
Fui evoluíndo até entrar na primeira área.
O bandão virou e eu também virei. O bandão estava sempre a frente e acima, assim eu não conseguia alcança-los. Logo que viraram a primeira área, dispersaram. Alguns forma mais a esquerda para fazer uma quilometragem maior, outros foram a direita e eu, plotei no SeeYou a borda da área e fui lá.
No caminho as coisas enfraqueceram. Tentei sobreviver. Térmicas de 1m/s.
Pelo menos havia componente de cauda de uns 20km/h.
Deveria fazer uma escolha. Ou eu beliscava a área, tentava subir e voltava para casa antes do tempo ou tentava fazer mais quilometragem e corria o risco de pousar fora, pois nessa hora estava sozinho.
O dia parecia que estava enfraquecendo e o topo das térmicas era baixo (1.200, 1.300m). Com o PW, isso dá pouca autonomia, ou seja, uma térmica que você não pega no azulão, já fica em situação bem difícil.
Na borda da segunda e última área encontrei uma térmica de 1m/s. Subi um pouco mais ainda faltava 300m para o planeio. Decidi voltar para casa. Pelos meus cálculos, chegaria 2 ou 3 minutos antes do tempo, mas como minha média era ridícula, pouca diferença faria.
Logo a frente encontrei um 3m/s e garanti um planeio final tranquilo. 380m de reserva (deve-se passar a pelo menos 140m na chegada). Como havia abandonado a última área, o que eu fizesse no caminho pouco mudaria. Eu tinha apenas que chegar.
Faltavam 20km para chaves e havia vento de través. Fui pegando muitas descendentes e nada de ascendentes. Há um instante que você não sabe se chega ou não. Se continuasse a descer, eu não chegaria ou chegaria muito apertado.
Se parasse, daria certo.
À 8 km de Chaves saí da descendente e peguei uma das térmicas mais fortes do dia. Como eu não precisava girar, só baixei a velocidade e ganhei uma boa reserva novamente.
Cheguei uns 5min antes do tempo, mas garanti a prova. Hoje foi muito difícil.
Os franceses optaram por dar uma nova largada. Estratégia que deu certo. Conseguiram chegar em casa e fizeram uma boa média, mas o risco era alto.
Precisamos de alguns dias bons para que possamos voar rápido. Estes dias marginais são difíceis. O fator sorte aumenta muito.
O Gugui e Navarro acabaram de pousar fora. Pelo que sei, ninguém da club class voltou.
Tomara que amanhã melhore. A briga continua!

Abraços,

Matheus.

Um comentário:

  1. Beleza de relato Matheus!!! me senti junto contigo nesse vôo, agora que terminei de ler consegui respirar novamente... kkk continue nos atualizando!!!

    Abração,

    Lautert

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