quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Voo com Thomas

Essa semana recebemos a visita do Thomas aqui na Argentina, e como ele veio de avião fez a boa ação de levar voar todos que estavam ficando só no chão (equipes).
O voo foi muito legal, e finalmente eu pude ver Chaves do céu, como todos diziam, tudo bem alagado.

Bom, gracias Thomas, eu adorei o voo, e fiquei muito feliz de poder voar aqui!





Festas

Como se tem  voado pouco por aqui, comida e festas não tem faltado. Na semana passada teve a "festa Internacional". Foram montadas mesinhas com cada país expondo algo típico. A maioria dos países expuseram comidas e bebidas. Nós do Brasil, como já era esperado, fizemos caipirinha. A maioria dos países levou alguma bebida alcoólica também, acho que todos pensavam em embebedar os adversários.hahaha
Nessa semana houve mais uma festa no clube, dessa vez a "festa Argentina". No inicio teve uma orquestra de tango que se apresentou a todos, enquanto um casal dançava. Mais tarde fomos para uma tenda, onde é o restaurante do camping, lá haviam comidas e bebidas típicas argentinas.
Agora esperamos que o tempo melhore, para que tenham mais voos do que festas! haha


 Festinha dos países, cheia já!

 Brasileiros fazendo caipirinha.



 Torta Polonesa, uma delícia, e é de uva! haha

 Orquestra da festa argentina.


Os dançarinos. Foto by: Rob Millenaar



Mais parado que água de poço

De manhã cedo já sabíamos que seria um dia "mole".
De qualquer forma levamos todos os planadores pra pista, mas foi só pra cumprir o protocolo. 
Primeira decolagem 12:15, que foi adiada para 12:45, que foi adiada as 13:00, e então todas as provas foram canceladas. Mais um dia sem voo. Céu coberto e chuva chegando no final da tarde.

Ontem minha irmã disse que estava fazendo muito calor em SC e perguntou como estava aqui. Eu disse: "Esta agradável, o que não é bom...".

De qualquer forma, encomendamos uma penca de boas térmicas com o Cacique Cobra Coral, no Brasil. Angelo cuidará dos tramites de importação. Esperamos que tudo dê certo. 

Enquanto isso, preparamos mais um assado. Dois porquinhos hoje. 


segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Cacique Cobra Coral

Atenção Sr. Angelo Hermini,
Solicitamos que o Cacique Cobra Coral seja invocado.
Favor encomendar uma penca de térmicas para o WGC, aqui na Argentina.

Campeonato complicado

Hoje tivemos o terceiro dia consecutivo de provas canceladas pelo mau tempo. Na verdade nem é mau tempo. É tempo xoxo mesmo. Não chove e não sobe.
Hoje a Classe World decolou para tentar fazer alguma coisa. Tudo azul com térmicas fracas de 1 m/s até 800m. Chegamos a pegar algo melhor que nos levou até 900, mas não havia chances de fazer nada.
Prova cancelada, planador estaqueado, pilotos no chão...
Este campeonato está com a meteorologia totalmente ferrada. Não fizemos nenhuma prova decente. Todas foram provas marginais onde voamos sempre no modo ''salvação''. Imaginem que estamos aqui desde o dia 24 de dezembro e fizemos meia dúzia de vôos curtos com velocidades muito baixas.
Isso é uma lástima, pois a organização do campeonato está impecável e o clima do pessoal é ótimo.
Infelizmente estas provas onde passamos o tempo todo tentando não pousar fora são tensas, pouco divertidas e o resultado pode ser bastante influenciado pelo fator sorte. Podemos ver grandes campeões indo muito mal em alguns momentos, como os alemães na Classe Club, argentinos da Wold e assim por diante.
A parte boa no meu caso é que estou tendo a oportunidade de aprender bastante. Estou bem a vontade nos paliteiros com mais de 30 planadores, estou aprendendo a voar com vento forte... Está sendo uma boa escola para grandes competições.

No final das contas, vai ser uma grande experiência e um monte de histórias para contar!

Abraços,

Matheus.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Hoje

Hoje amanheceu fechado. A frente de ontem estava em cima de Chaves. Logo cedo cancelaram a prova. Dia de descanso a todos. Adivinha? Ao meio dia a frente foi embora e os cumulus apareceram pela primeira vez.  O melhor dia de Chaves até agora não tem nenhum planador no céu.
Eu não disse que as coisas aqui passam muito rápido?
Bem, vamos para a cidade comer um sorvete maravilhoso! (amanhã mandamos a foto!!)

Abraços,

Matheus.

Relatos...

Estou devendo três relatos. Os vôos dos dias 9 e 11 foram curtos e terminaram com pousos fora. O vôo do dia 10 foi bem interessante, muito difícil mas com prova completada.
Vamos ao dia 09. A previsão meteorológica era de um dia melhor que o anterior, assim, a comissão de provas marcou uma prova um tanto ousada. As classes club e standar tinham uma área encostada na praia e outra área na Sierra de la Ventana. A classe World ia para a mesma direção, apenas com pontos mais próximos.
A meteoro que era para ser melhor, acabou ficando pior. Havia uma inversão térmica na casa dos 1000m e as térmicas chegavam até aí e paravam. A prova era de área com 2h e 30min e calculamos que o melhor horário para partida seria às 14:30, pois a temperatura já havia subido um pouco mais e a inversão seria rompida. Fomos os primeiros a decolar bem cedo e isso significava que teríamos que ficar quase 2 horas no vôo local, o que é bem chato. Eu não gosto de ficar como mosca de padaria antes da largada, ainda mais com outros 90 planadores. É chato não ter um objetivo.
Quando faltava 1h para o horário ideal de largada (2:30 pm), resolvi abandonar os paliteiros e voar um pouco mais longe para testar algumas térmicas. Não encontrei nada e voltei. Nada mais subia. Para não pousar, aceitava girar qualquer coisa melhor que zero. Alguns planadores estavam altos (a 1.100m) e outros na mesma situação que eu. A 500 tentando subir. O horário foi passando e nada. Conseguimos subir a 1000m às 2:50, um pouco atrasados mais ainda em tempo de pegar a melhor parte do dia.
A dita inversão não dava muita chance. A temperatura ficou 1º abaixo do necessário para o dia bombar. Larguei e fui logo para a bananosa. 400m e aceitando qualquer coisa para subir. Como o vento de proa não era muito forte para os padrões de Chaves (25 km/h), dava para se salvar com uma térmica fraca. Os Checos que estavam comigo na largada sumiram. Não vi eles me passando e também não vi eles atrás. Não sei o que fizeram, vou ter que analisar o vôo deles. Eu larguei sozinho pois não achava coerente ficar esperando uma evolução meteorológica que poderia não acontecer. Já era tarde.
Saí desta primeira banana relativamente bem, mas a térmica terminou aos 900m. Isso se repetiu várias vezes. De 900 ia a 400, pegava alguma coisa na ordem de 1,5, 2m/s e andava mais um pouco. Um pouco cansado disso, pensei: Onde estão as térmicas de 4 m/s previstas pela meteorologia? Não deu 1 minuto e encontrei uma de 3,5 m/s. Muito bom. Subi até 1.400m pela primeira vez.
Estava próximo da primeira área e vi alguns planadores já voltando (a segunda área era bem próxima). Virei a área e fui em direção a segunda. A região era bem verde e logo vi alguns planadores baixos tentando se salvar. Fui voando lentamente procurando subir para tentar completar a prova, mas não consegui nada. Apenas algumas bolhas. Nestas bolhas, dava uma ou duas voltas, ganhava uns metros e parava de subir. Me segurei por algum tempo até chegar a 150 metros. Aí não havia mais o que fazer. Lavoura escolhida, pouso fora. Antes de pousar já havia visto outro planador na fazenda ao lado. Após pousar, fiquei assistindo os outros na banana. Mais de 30 planadores pousados na mesma região. Pousou um lituano na mesma área que eu.
O resgate foi tranquilo. pouco mais de 100km de casa, mas dentro da fazenda tivemos que abrir uma dezena de porteiras. Tudo certo graças a equipe mais eficiente do mundo (Obrigado Wally, Marion e Anna!).
Fui muito mal nesta prova pelo fato de ter largado muito tarde. Os outros planadores que estavam baixos comigo na hora da largada também pousaram fora. Alguns dos primeiros a partir cedo conseguiram completar.

No dia 11 (ontem) foi bem curto. Decolamos já com muita dúvida se conseguiríamos completar a prova ou não. Era uma prova de área com a distância mínima de 100 km (2 horas). A idéia era apenas beliscar as duas áreas. Saímos com um vento de cauda de 40 km/h e a entrada de uma frente nas costas. As coisas aqui passam muito rápido.
As térmicas estavam fracas, no máximo 2 m/s, mas como o vento era de cauda, dava para ir rápido. Saímos todos próximos, mas ao entrar na área, os franceses e mais alguns decidiram ir a frente. Eu achei loucura, pois teríamos que encarar o vento antes da entrada dos cirrus que sombreariam a segunda área. Viramos logo na borda eu e o Pimenta apenas. Alguns seguiram os franceses e outros ficaram tentando subir um pouco mais, esperando alguém sair para ir atrás.
Quando saímos, alguns vieram junto, mas vinham atrás para ''chupar'' nosso vôo, ou seja, deixar que encontrássemos as térmicas antes. Como estava azul, com vento de proa forte e topo das térmicas baixo (1.100m), estava bem difícil. Pegamos 2 ou 3 boas térmicas de 2,5m/s e tentávamos avançar. Olhei para o SeeYou e vi que não havíamos avançado praticamente nada. O vento neste momento era de mais de 50 km/h. Mal havíamos saído da área que apenas beliscamos. A média de quase 90 km/h caiu para 30 km/h em pouco tempo. Estávamos praticamente parados.
Fiz meus cálculos e constatei que seria impossível alguém completar a prova com PW-5. Com aquela média precisaríamos de umas 8 horas de vôo hehehe. Neste momento a segunda área já estava totalmente coberta pela frente que havia entrado.
Tentei por algum tempo voltar a Chaves para evitar um pouso fora, mas nem isso conseguia. Conformado com a situação, procurei o campo onde seria mais fácil o resgate para diminuir o desgaste físico. A 500m ainda determinei o local do pouso fora. Uma linda lavoura com soja recém plantado ao lado de uma estrada de chão muito boa que dava acesso a rodovia de asfalto que passa em frente ao aerolcube. Estava a 20 km de casa. Nesta lavoura havia uma porteira de acesso a estrada (sim, pois alguns campos aqui são bem isolados, mesmo ao lado das rutas. Como tudo é plano, eles costumam abrir valas bem grandes entre as estradas e os campos para drenar a água. Isso complica bastante o resgate). Tudo planejado para o pouso fora, mais ainda alto, tentei buscar alguma térmica no cone da lavoura. Nada feito. O vento era muito forte e eu decidi a 250m entrar no tráfego antes que ficasse longe demais.
Logo chegou minha equipe maravilhosa (Anna, Wally e Marion), que ainda assistiu o pouso de mais 3 planadores na mesma área. Toda classe World, Club e mais da metade da Standard no chão. 74 planadores pousados fora.

Bem, chega de pouso fora. No dia 10 (anteontem) fiz um vôo muito legal. A previsão era de um dia bom (apesar de eu não botar fé). Seria azul mas com térmicas fortes e topo alto (acima dos 1.500m). Havia uma camada de inversão mas que seria rompida com o aquecimento do dia.
A prova era de área com 3 horas, o que achei quase uma loucura, mas não nos cabe discutir, apenas voar.
Nos posicionamos bem para largar cedo. Era um paliteiro de PW ao lado da faixa. O vento era fraco para Chaves, 20 km/h.
Os Franceses deram a largada, eu e o Pimenta subimos mais um pouco e resolvemos largar também, pois o bandão estava indeciso aguardando alguém ir na frente. Os caras não se decidem, preferem ficar empatando num zerinho aguardando alguém tomar a decisão. Como o vento vai arrastando, com o tempo vamos ficando longe da faixa e tudo fica pior.
Quando eu e o Pimenta largamos, todos vieram atrás. A dita inversão térmica não foi rompida e só conseguimos subir a 1.100m. Logo após a largada já estávamos baixos (400m) e tendo que encontrar alguma coisa para não se ralar.
Achamos uma térmica boa rapidamente e todos que haviam largado depois chegaram junto. Achei até bom, pois agora também poderíamos voar no bandão e deixar os outros trabalhar um pouco.
Eramos em 12 PW-5. No bandão tudo fica mais fácil. Quando um achava alguma coisa, todos giravam juntos. Coisa linda.
Logo na entrada da primeira área encontramos os franceses que haviam largado bem antes. Marvilha. Estava dando certo.
Na segunda perna, foi surgindo mais e mais PW. Chegamos a voar em 22, todos juntos. A classe toda estava no bandão tentando avançar. Cada térmica era um paliteiro! Eu queria ter uma filmadora junto.
Um pouco antes da segunda área havia uma ''cuenca''. São regiões pantanosas onde não se planta nada. Quando está seco tem gado. Agora, está tudo alagado. Um pântano gigante.
Entramos nessa cuenca já um pouco baixos (600 m) e fomos avançando. Todos começaram a abrir para tentar buscar alguma térmica. Apenas um PW foi bem a direita e conseguiu se manter mais alto, mas estava apartado do bandão.
Eu colei no Eduardo Crego (ZA) que é um argentino muito experiente e saberia se safar melhor nesta situação. Quando estava a menos de 300, em um local horrível para pouso fora, o Crego girou. Fiquei eufórico pensando que ele tinha encontrado uma térmica, mas na verdade ele deu um 180º para sair daquela região. Pensei em voltar com ele, mas olhei para trás e vi que alguns planadores estavam girando e o objetivo dele era chegar naquela térmica. Com um cálculo rápido de cabeça, achei a estratégia ruim e arriscada demais, visto que chegaríamos na termica atrás com menos de 100m. Se não pegasse nada era pouso fora na certa. Resolvi ir um pouco em frente e vi o FF tentando pegar algo. Eramos em 21 planadores desesperados, cada um tentando se salvar a sua forma. Cheguei junto ao FF e  conseguimos achar o centro de uma térmica salvadora de 1 m/s. Quase no chão.
Todos vieram conosco e subimos a 700m.
Beliscamos a segunda área e começamos a volta.
Logo encontramos outra térmica e subimos a 1.300m. Faltava 350m para o planeio final.
Aquela decisão do Crego realmente não deu certo. Ele havia pousado fora. Um francês também ficou.
Nos juntamos novamente num bandão e encontramos mais duas boas térmicas que nos garantiram um planeio final sossegado.
Ufa. Missão cumprida. Prova de 3 horas completada em um dia horrível onde a temperatura ficou novamente 1º abaixo do previsto e a maldita inversão nos apertava contra o solo.
Não fiz uma prova maravilhosa pois larguei um pouco antes dos demais e cheguei praticamente junto, mas me diverti um monte. Dificilmente vou voar com mais 20 planadores iguais.

Prometo que vou colocar umas fotos agora. Chega de textos longos!

Abraços,

Matheus.